Infecção urinária: o terror das mulheres
- Nath

- 10 de mar. de 2021
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Infecção urinária é a presença anormal de patogênicos (que causam doença) em alguma região do trato urinário. Algumas pessoas, especialmente mulheres, podem apresentar bactérias no trato urinário e não desenvolverem infecção urinária, chamadas de bacteriúria assintomática.
As principais causas são a relação sexual e as bactérias do trato gastrointestinal, que migram por via ascendente da região perineal até a bexiga. Raramente ocorre pela via hematogênica (circulação sanguínea).
Existem dois tipos principais: a cistite e a pielonefrite. A Cistite é a infecção que afeta a bexiga, enquanto a pielonefrite afeta o rim. Essa última possui sintomas mais severos.
A incidência de infecção urinária é de 80% a 90% em mulheres, é mais prevalente na idade reprodutiva e nas mulheres que estão na menopausa, devido à queda do estrogênio e de alterações no tipo e quantidade de micro-organismos que protegem a vagina.
SINTOMAS
Na infecção urinária, os principais sintomas na mulher são:
Disúria (ardor na uretra durante a micção);
Aumento da frequência urinária (mais de sete vezes por dia);
Noctúria (mais de uma micção noturna);
Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
Dor suprapública;
Sangue na urina;
Alteração do aspecto físico da urina (coloração escura, aparência turva e odor forte).
Em alguns casos mais severos, a doença pode causar dor lombar, febre e/ou mal-estar
PREVENÇÃO
Para prevenir a infecção urinária recomendam-se algumas medidas a serem realizadas no dia a dia. Confira abaixo:
Ingestão de líquidos em grande quantidade;
Não reter urina;
Corrigir alterações intestinais como diarreia ou obstipação;
Micção antes e após relação sexual;
Estrógeno para as mulheres na pós-menopausa sem contraindicação hormonal;
Evitar o uso do diafragma e espermicidas;
Tratamento adequado do diabetes mellitus.
EXAMES
Para diagnosticar adequadamente a infecção urinária, o especialista deve solicitar a urocultura com antibiograma – exame realizado em laboratório. O antibiograma é um teste de sensibilidade a fim de identificar a sensibilidade a certos antibióticos do agente causador da doença.
TRATAMENTOS E CUIDADOS
Para a infecção urinária do tipo cistite é possível o tratamento com antibiótico de dose única, de curta duração (três dias) ou de longa duração (sete a dez dias). Já na pielonefrite, a indicação é o uso do de antibiótico por períodos mais longos.
Como no caso do corrimento vaginal, a idade e o modo de vida da paciente devem ser levados em consideração para a escolha do tratamento.
EXAMES NO CONSULTÓRIO
São fundamentais para a prevenção de doenças e cuidado da saúde sexual e reprodutiva da mulher. A consulta ginecológica deve ser realizada uma vez ao ano, no mínimo.
Os exames que podem ser realizados no consultório ginecológico são:
Toque vaginal;
Exame especular;
Exame clínico das mamas;
Papanicolau;
Colposcopia;
Vulvocospia;
Videocolposcopia.
Toque Vaginal:
Exame realizado para analisar principalmente a vagina, o colo e o corpo do útero. O médico ginecologista introduz dois dedos na vagina e, ao mesmo tempo, coloca a outra mão sob o abdômen. Assim, pode sentir o colo do útero, e por meio de movimentos de ambas as mãos examinam-se o útero, as trompas e os ovários. É fundamental para o diagnóstico de endometriose e da doença inflamatória pélvica. Mulheres virgens não podem realizar esse exame.
Exame especular:
Introduz-se um espéculo no canal vaginal para avaliar a cor e aspecto da vagina e do colo do útero (se há lesões, inflamações); presença de corrimento; e presença de hemorragias. O ideal é utilizar um espéculo descartável.
Exame clínico das mamas:
Realizado para examinar as mamas, a fim de encontrar sinais e sintomas de doenças. O médico repete os mesmos procedimentos realizados pela paciente no autoexame das mamas.
Papanicolau:
Através do material colhido no Papanicolau, é possível analisar células da vagina para detectar inflamações, displasias e doenças como HPV e o câncer de colo do útero. No exame, o médico ginecologista realiza a coleta de material (células e secreções) e encaminha para um laboratório.
Colposcopia:
Permite visualizar a vagina e o colo do útero por meio de um aparelho chamado colposcópio. Esse aparelho permite o aumento da visualização de 10 a 40 vezes o tamanho normal. É realizado fora do período menstrual. Para a realização desse exame, recomenda-se a abstinência sexual por 48 horas e devem-se evitar exercícios físicos intensos.
Vulvocospia:
É realizada com o colposcópio, por meio do qual é examinada a Vulva. Durante esse exame, são usados produtos químicos e corantes para realçar as áreas que serão examinadas. É indicada para mulheres que apresentam resultado anormal no Papanicolau ou para aquelas em que foram notadas alterações como vaginite e vulvovaginite.
Videocolposcopia:
É o registro da colposcopia e da vulvocospia em vídeo.
EXAMES DE LABORATÓRIO
São exames complementares aos exames ginecológicos de rotina, realizados em laboratórios ou clínicas especializadas. São solicitados pelos médicos para possibilitar ou confirmar o diagnóstico de uma doença.
Há vários tipos de exames laboratoriais: de sangue (hemograma), de urina, mamografia, entre outros.
Os principais exames requeridos pelos médicos ginecologistas são:
Mamografia;
Laparoscopia;
Densitometria Óssea;
Ressonância nuclear magnética (Mama);
Ultrassonografia Endovaginal, Ginecológica e Obstétrica;
Ultrassom das mamas;
Ultrassonografia para Endometriose;
Captura Híbrida – HPV.
Mamografia:
É o método mais recomendado para o diagnóstico precoce do câncer de mama. De alta sensibilidade, pode mostrar o câncer muito antes deste ser palpável. É o único exame que consegue detectar microcalcificações, que dependendo da forma e da distribuição, podem indicar a fase inicial de um câncer. Indicado para mulheres com mais de 40 anos de idade.
Laparoscopia:
É um procedimento diagnóstico e terapêutico, que possibilita o exame e a realização de cirurgias através de pequenas cânulas de metal que são inseridas no abdômen. Atualmente, a visualização interna acontece por intermédio de câmeras de vídeo miniaturizadas, a chamada videolaparoscopia. Ambos os procedimentos precisam de anestesia geral e internação hospitalar. É indicada, principalmente, para o diagnóstico e tratamento da endometriose e infertilidade.
Densitometria Óssea:
Por meio de raios-X, propõe medir a densidade mineral no segmento ósseo, avaliando-a de acordo com os padrões de idade e sexo. É o principal elemento de diagnóstico da osteoporose. Com a medição da densidade, é possível verificar a possibilidade de futuras fraturas e o nível da osteoporose.
Ressonância Nuclear Magnética (RM):
Esse exame consiste em colocar a pessoa em um campo magnético, a fim de realizar exames de imagem de alta complexidade, mostrando detalhes não vistos nos exames de radiologia geral. A Ressonância Magnética pode ser realizada em diversas partes do corpo e será solicitada de acordo com o diagnóstico médico.
Ressonância Nuclear Magnética de Mama (RM):
É a RM realizada para analisar a mama através de campo magnético intenso, ou seja, sem radiação como no caso da mamografia. Não substitui a mamografia e o exame clínico da mama.
Ultrassonografia Endovaginal, Ginecológica e Obstétrica:
O exame de ultrassonografia é totalmente indolor e não ocasiona nenhum incômodo. Consiste em fazer deslizar sobre a pele um pequeno aparelho chamado transdutor, que emite ondas sonoras de alta frequência (dois milhões a 20 milhões de hertz), inaudíveis pelo ouvido humano, que são captadas de volta sob a forma de eco.
A ultrassonografia endovaginal, emite ondas sonoras inaudíveis para examinar a parte interior do organismo feminino. Já o exame ginecológico ou pélvico é feito através do abdômen e com a bexiga cheia. E por último, a ultrassonografia obstétrica é realizada quando a paciente está grávida.
Ultrassom da Mama:
É um método de imagem que permite avaliar a glândula mamária e detectar lesões (nódulos, por exemplo). Pode indicar se o nódulo é benigno ou maligno.
Ultrassonografia para diagnóstico de Endometriose:
O ultrassom especializado para diagnosticar a Endometriose. Detecta problemas no ovário e suas sequelas, que podem afetar bexiga, ligamento, intestino, entre outros. Quando há o diagnóstico da Endometriose, o resultado auxilia o médico em uma futura cirurgia.
Captura Híbrida no Diagnóstico do HPV:
Diagnostica a presença do vírus mesmo antes da paciente apresentar os sintomas. Para a realização desse exame, o médico introduz o espéculo e, com o auxílio de uma escovinha delicada, coleta amostras de secreção do colo uterino, da vagina ou da vulva. Após a coleta, o material é encaminhado ao laboratório. O preparo para o exame deve ser seguido à risca: não ter relações sexuais três dias antes do exame; não estar menstruada; não ter usado qualquer tipo de ducha ou creme vaginal na última semana.
fonte: Dr. Sergio dos Passos Ramos CRM 17.178 – SP

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